quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A Perda


Quando penso no que não vivi, no que não falei, no que devia ter sentido e não senti… sinto raiva de mim mesma. Porque não senti há mais tempo? Porque não perdoei logo, não falei…? Tive medo de ouvir a sua voz da qual eu já estava desabituada e que agora dava tudo para a poder ouvir.
Quem me dera que soubesse que não me ficou indiferente, que eu descobri que o amava cá no fundo e que só percebi com a perda. Quero tanto dizer-lhe isso, abraçar-lhe e pedir-lhe que não fizesse o que acabou por fazer… tive o seu número de telemóvel durante 4 meses… e só agora lhe ligo, só agora quero ouvi-lo. Mas agora quem não fala é ele… quem não me ouve é ele. Agora é a minha vez de sofrer sem ele tudo o que ele sofreu sem mim. E como me custa.
Porque teve de morrer?
Às vezes sinto-me anestesiada quando não sinto a dor da perda, mas outras vezes vem-me à cabeça de uma maneira brusca todos os problemas e sentimentos que tenho. Nem sei como descrever o que sinto. É um grande desespero às vezes, mas quero pensar que aconteceu e que não posso fazer nada. Mas se fosse assim tão fácil…
Quem me dera ter a certeza de que houvesse vida para além da morte. Assim viveríamos com mais calma e com menos medos. Quando alguém morresse não diríamos “Adeus.” para sempre e sim “Até logo.”. Mas acho esta ideia tão fantasiosa… se há vida para além da morte então parece que este é um mundo mágico, que deixa de haver barreira entre o possível e o impossível.